Com participação do Brasil, começa produção do sexto espelho do Telescópio Gigante Magalhães

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Quando estiver funcionando, o Telescópio Gigante Magalhães (GMT) produzirá imagens dez vezes mais nítidas do que o Telescópio Espacial Hubble – Foto: Divulgação/GMT Mirror Segment 6

Espelho fará parte de um dos maiores telescópios gigantes do mundo, que vai produzir imagens dez vezes mais nítidas do que o Hubble. Brasil terá direito a participar da operação.

Telescópio Gigante Magalhães (GMT) acaba de anunciar a fabricação do sexto dos sete maiores espelhos monolíticos do mundo. Eles permitirão que astrônomos enxerguem o Universo ainda mais detalhado e vejam ainda mais longe. Medindo 8,4 metros (m) de diâmetro, a altura aproximada de dois andares de um edifício quando colocado na vertical, o espelho está sendo produzido no Laboratório de Espelhos Richard F. Caris da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos. Devido à pandemia do novo coronavírus, a produção está sendo feita a portas fechadas para proteger a saúde da equipe de dez pessoas do laboratório.

Quando o GMT estiver operando em sua capacidade máxima, o espelho primário (formado por sete segmentos) terá uma área coletora total de 368 metros quadrados (m2) — suficiente para enxergar a face de uma moeda de 10 centavos de real, que mede 2 centímetros, a aproximadamente 360 quilômetros (km) de distância. Tal poder de resolução será dez vezes maior do que o famoso Telescópio Espacial Hubble e quatro vezes maior do que o aguardado Telescópio Espacial James Webb, com lançamento previsto para o fim de 2021.

O GMT é fruto de um consórcio internacional de universidades e instituições científicas de ponta. O Brasil é um dos sócios fundadores do consórcio, por meio de financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que está investindo 40 milhões de dólares, equivalente a 4% do tempo de operação anual do telescópio. Para o professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, Laerte Sodré Junior, coordenador do Projeto GMT/Fapesp, a nova etapa na construção do telescópio é um sinal positivo para o futuro da astronomia brasileira. “O GMT será um dos primeiros da nova geração de telescópios gigantes a entrar em operação. Ele vai abrir uma nova janela para o cosmos e permitirá à comunidade brasileira explorar, em primeira mão, territórios hoje inacessíveis, como as atmosferas de planetas em torno de outras estrelas e o surgimento das primeiras galáxias”, avalia.

A professora Claudia Mendes de Oliveira, do IAG, co-coordenadora do Projeto GMT/Fapesp e membro do Conselho de Diretores da GMTO Corporation, destaca que a participação brasileira já inclui atuação no desenvolvimento de instrumentação para o telescópio.

O espelho monolítico possibilita uma visão mais ampla e detalhada do Universo – Foto: Divulgação/GMT Mirror Segment 6

“No que se refere aos projetos de engenharia para a instrumentação do GMT, o escritório brasileiro dispõe de uma equipe crescente e multidisciplinar composta de engenheiros, físicos e astrônomos que atuam nas áreas de engenharia mecânica e optomecânica, óptica, eletrônica, engenharia de sistemas e software. São excelentes profissionais que atuam nas diversas fases do desenvolvimento de instrumentos, incluindo sua concepção, fabricação, montagem, testes e comissionamento”, conta. “Desde o início das atividades do GMT Brazil Office, essa equipe tem atuado nos projetos dos instrumentos do GMACS, G-CLEF, Manifest e ComCam, além de no próprio telescópio, fortalecendo a participação brasileira no desenvolvimento da instrumentação científica.”

“A parte mais importante de um telescópio é o seu espelho coletor de luz”, afirma James Fanson, gerente de projetos do Telescópio Gigante Magalhães. “Quanto maior o espelho, mais a fundo podemos enxergar o Universo e mais detalhes são observados. O design único do espelho primário consiste em sete dos maiores espelhos do mundo”, descreve. “Iniciar a fundição do sexto espelho é um grande passo em direção à conclusão do projeto. Quando estiver funcionando, o GMT produzirá imagens dez vezes mais nítidas do que o Telescópio Espacial Hubble. As descobertas que esses espelhos fizerem transformarão o nosso entendimento sobre o Universo.”

Por Assessoria do GMT Brasil
Arte: Lívia Magalhães/Jornal da USP

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